Ridendo castigat mores...


Bem-vindo! Se veio aqui parar provavelmente veio enganado. Deve andar à procura de outro blog qualquer, muito mais interessante que este, e o google enganou-o e trouxe-o até aqui. Mas já que cá está, sente-se e beba um copo.

Este não é mais um blog com pretensiosismos intelectualóides nem tão pouco com carácter de intervenção. É pura e simplesmente um blog totalmente politicamente incorrecto escrito por alguém que trabalha em ciência em Portugal e que, nos tempos livres *command not found*, provavelmente não tem mais que fazer do que vir para aqui libertar as suas frustrações e dizer mal de tudo e de todos. Daí o Contra.

Não vale a pena adicionar este blog aos seus favoritos nem subscrever os feeds porque provavelmente não vai haver aqui nenhuma informação que verdadeiramente lhe interesse. Se procura informação científica credível também não vai encontrar. Tente na Web of Knowledge (3º corredor à esquerda, 2ª porta a seguir à escada; por favor ignore o letreiro à entrada que diz WC). Se procura financiamento científico, então está mesmo perdido de todo! Procure na FCT - Foda-se a Ciência e Tecnologia.

Se ainda está a ler isto é porque provavelmente é quase tão desocupado como eu e isso não revela nada de auspicioso para o seu futuro. De qualquer modo, deixe-se ficar e prepare-se para algo totalmente diferente! A realidade das histórias que aqui serão descritas é tudo menos coincidência e estas seriam hilariantes se não fossem tragicamente cómicas.

(Esta mensagem foi patrocinada pelo Dicionário da Língua Portuguesa, edição pré-acordo ortográfico, cuja palavra do dia é provavelmente. Sim, que a ligação à net para poder blogar é cara e a ciência, como toda a gente sabe, não é exactamente uma fonte lucrativa.)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

As luas da FCT: às vezes sim, às vezes não...

No segundo semestre do ano passado (2010), andaram as instituições e centros de investigação num reboliço. A causa? A FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) tinha resolvido que os valores das bolsas pagas aos bolseiros deviam estar de acordo com o grau do bolseiro e não de acordo com o tipo de bolsa. Assim, pressionou os centros para que procedessem à conversão das respectivas bolsas. Ou seja, um doutorado com uma bolsa para mestres teria que passar a ganhar obrigatoriamente como doutor e a sua bolsa deveria ser convertida a bolsa de pós-doutoramento.

Tudo isto parece muito bem ao caro leitor. A mim também me pareceria bem, não fosse o pormenor de que associado à conversão da bolsa, NÃO estaria um aumento do orçamento para a respectiva bolsa. Se no projecto estava associada uma bolsa de investigação para mestres de 1 ano, então o orçamento para a contratação desse bolseiro seriam 11760 euros anuais (12 x 980 euros, sim porque cientista que se preze não tem cá esses privilégios de subsídios de férias e de Natal. E ainda estamos agradecidos porque ganhamos para fazer aquilo que gostamos, tal como sugeriu o caríssimo senhor presidente da FCT!). Ora como uma bolsa de pós-doc são 1495 euros mensais, o valor anual concedido só daria para cobrir cerca de 8 meses de bolsa e não os 12 meses iniciais.
Como de costume, quem se fode é sempre o mexilhão... fode-se o mexilhão "centro/grupo de investigação" porque contava com um bolseiro durante 12 meses e só o vai ter durante 8; fode-se o mexilhão "bolseiro" (este até já anda com uma bisnaguita de vaselina no bolso), que pensava que teria bolsa durante 12 meses e só vai ter durante 8 (e não, a seguir também não tem direito a essa coisa maravilhosa que é o subsídio de desemprego, porque os bolseiros não são considerados empregados!) e, para além disso, passa a estar limitado a bolsas que estejam de acordo com o seu grau de formação, já que qualquer grupo com um senso financeiro acima do dos nossos caríssimos governantes, passará a preterir bolseiros que estejam acima do grau a que compete a bolsa pois sabem que tal acarretará óbvias desvantagens.

Ora a FCT em grande estilo como sempre nos habituou, a mudar as regras quando o jogo vai a meio. Atitude que, de resto, é apanágio de muitas outras instituições associadas ao ensino superior e academia científica.
O acima descrito já seria grave e suficiente para um dos meus cáusticos posts neste blog. Mas a FCT vale muito mais! Ora depois de todo este reboliço, depois dos centros terem procedido à conversão das bolsas para estarem de acordo com o grau do bolseiro e de assim o bolseiro ver o seu tempo de bolsa reduzido, a FCT lança as novas "Normas para Atribuição e Gestão de Bolsas de Formação Avançada no âmbito de Projectos e Instituições de I&D", publicadas em Fevereiro de 2011 e que podem ser consultadas no seguinte endereço:
http://alfa.fct.mctes.pt/apoios/bolsas/normasbolsasemprojectosunidades

Eis a minha surpresa quando leio, na secção 1.4 - Avaliação das Candidaturas, o seguinte parágrafo:
"Os Mestres e Doutores ao concorrerem auto-limitam-se e concorrem na sua categoria de Licenciados, aceitando as condições da bolsa oferecida, nomeadamente o valor do subsídio de manutenção mensal correspondente (no caso, €745,00). Ou seja, o valor do subsídio é determinado pelo nível habilitacional exigido em edital e não pelo grau académico actual do(a) candidato(a) seleccionado(a), se superior ao exigido."

Depois disto, o que é que eu posso dizer? Obrigado FCT! É bom saber que posso sempre contar contigo para ter assunto para mais um post no meu blog! :)
Aqui fica a minha dedicatória musical
http://www.youtube.com/watch?v=FAUYlvcforc

1 comentário: