Ridendo castigat mores...


Bem-vindo! Se veio aqui parar provavelmente veio enganado. Deve andar à procura de outro blog qualquer, muito mais interessante que este, e o google enganou-o e trouxe-o até aqui. Mas já que cá está, sente-se e beba um copo.

Este não é mais um blog com pretensiosismos intelectualóides nem tão pouco com carácter de intervenção. É pura e simplesmente um blog totalmente politicamente incorrecto escrito por alguém que trabalha em ciência em Portugal e que, nos tempos livres *command not found*, provavelmente não tem mais que fazer do que vir para aqui libertar as suas frustrações e dizer mal de tudo e de todos. Daí o Contra.

Não vale a pena adicionar este blog aos seus favoritos nem subscrever os feeds porque provavelmente não vai haver aqui nenhuma informação que verdadeiramente lhe interesse. Se procura informação científica credível também não vai encontrar. Tente na Web of Knowledge (3º corredor à esquerda, 2ª porta a seguir à escada; por favor ignore o letreiro à entrada que diz WC). Se procura financiamento científico, então está mesmo perdido de todo! Procure na FCT - Foda-se a Ciência e Tecnologia.

Se ainda está a ler isto é porque provavelmente é quase tão desocupado como eu e isso não revela nada de auspicioso para o seu futuro. De qualquer modo, deixe-se ficar e prepare-se para algo totalmente diferente! A realidade das histórias que aqui serão descritas é tudo menos coincidência e estas seriam hilariantes se não fossem tragicamente cómicas.

(Esta mensagem foi patrocinada pelo Dicionário da Língua Portuguesa, edição pré-acordo ortográfico, cuja palavra do dia é provavelmente. Sim, que a ligação à net para poder blogar é cara e a ciência, como toda a gente sabe, não é exactamente uma fonte lucrativa.)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Há quem trabalhe para ser pago e quem pague para trabalhar!

Em primeiríssimo lugar, queiram os caríssimos leitores desculpar a prolongada ausência, que se deveu a um estado de satisfação profissional, obviamente temporário e de curta duração (e de alguma ingenuidade e boa vontade, devo confessar). A crise aperta a todos e há que poupar nas letras e mais ainda no tempo que o digníssimo leitor despende nesta minha/sua húmil casa virtual. No entanto, não quis eu deixar o nobre leitor sem nada que fazer na meia hora extra que o nosso magnânimo governo decidiu generosamente atribuir a todos os trabalhadores. Portanto, cá fica a minha mui modesta contribuição para a estabilidade do país.


Ora, visto que nos últimos tempos não se fala de outra coisa a não ser de dinheiro, eu, que sou um blogger sempre actualizado, decidi fazer um post sobre isso mesmo: dinheiro. Mais concretamente o dinheiro que (não) me pagam, o dinheiro que eu empresto à minha entidade patronal e, ainda, o dinheiro que recebo tarde e a más horas!
Em Novembro de 2010, receberam todos os membros do centro de investigação onde actualmente trabalho o seguinte email:
Caros Colegas,
Infelizmente, devido a um problema de saldo bancário, não é possível o pagamento dos salários e bolsas na data habitual de 22 de Novembro. De momento também não podemos especificar uma nova data.
A nossa prioridade é pagar os salários e bolsas (e impostos) em Novembro. Só após termos também assegurados os pagamentos para Dezembro e subsídio de Natal, pagaremos reembolsos e empresas, etc.”

Em Junho de 2011, recebemos mais um agradável email:
“Caros Colegas / Dear Colleagues
Infelizmente estamos novamente numa situação de dificuldade de liquidez bancária, pelo que não é possível o pagamento dos salários e bolsas na data habitual. De momento também não podemos especificar uma nova data.
Este problema resulta primariamente do facto de não termos ainda recebido fundos para funcionamento do laboratório associado este ano. Estamos a envidar todos os nossos esforços para resolver a situação o mais rapidamente possível.”

(risos) Isto é tão ridículo que se torna cómico… mas não ficamos por aqui!
Em Agosto de 2011, após já ter pago 2 meses de Seguro Social Voluntário (uma espécie de segurança social para pegas e bolseiros), no valor mensal de 102,71€, e de, até à data, nenhum me ter sido reembolsado, perguntei ao responsável pela tesouraria qual a razão do atraso dos reembolsos. Mais uma vez me foi dada a justificação da falta de liquidez. Ao perguntar se teriam perspectivas de quando poderiam pagar, foi-me respondido que não faziam ideia.
Em Setembro de 2011, necessitei fazer uma deslocação científica à Alemanha. Paguei a viagem de avião, no valor de 469,98€, exactamente no dia 13 de Julho de 2011. Imediatamente procedi ao preenchimento de toda a parafernália burocrática para que o dinheiro me fosse reembolsado o mais rapidamente possível, pois que também eu sofro de problemas de liquidez.
Ora perfaz no total o valor de 675,40€. Se o leitor os encontrar, por favor indique-lhes o caminho de casa! Deixam muita saudade!

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