Na passada semana, na sequência da minha inscrição no centro de emprego, digna de nota no post anterior deste mesmo blog, recebi uma carta do IEFP, "convidando-me" a comparecer à sessão de divulgação do programa de estágios profissionais na administração pública central (vulgo PEPAC). Muito diligentes e preocupados, os Srs. do centro de emprego, diria o caro leitor. Sem dúvida, diria eu, não fosse o carácter coercivo da dita missiva, na qual se pode ler:
"A sua não comparência ou posterior recusa em participar na referida intervenção pode implicar as seguintes consequências:
* anulação da sua inscrição para emprego
* impossibilidade de revalidação da sua inscrição nos 90 dias que se seguem à data anulação"
E assina, com os melhores cumprimentos, pelo director do referido centro de emprego, o Exmo. Sr. Rui Maria.
E não, não me enganei a transcrever as frases, de facto falta ali um "da" entre data e anulação (DAAAAAAHH!!!).
Ora, eu que tenho este defeito terrível que é o espírito crítico, e reajo mal a ameaças, fiquei a pensar (às vezes dá-me p'ra isto, pensar... coisas de quem não tem mais nada que fazer!)... Esta brilhante carta levanta-me uma série de questões que, atempadamente, dirigirei directamente ao IEFP, mas que decidi antecipar neste meu brilhante blog e ao não menos brilhante leitor:
1- que obrigação tenho eu perante o IEFP de comparecer a esta sessão de divulgação se não estou a auferir de nenhum subsídio do estado devido à minha condição de indigente? E o IEFP, está a cumprir com a sua obrigação de me arranjar emprego? Que diligências estão a ser feitas nesse sentido? Se o IEFP considera que coagir as pessoas a irem a sessões de divulgação de estágios profissionais é uma boa forma de lhes encontrar emprego, então cada vez mais entendo por que razão a taxa de desemprego atinge já quase os 17%;
2- perdoem a minha inocência, mas sempre pensei que o objectivo de um estágio (profissional ou não) fosse adquirir experiência inicial e competência. Gostava que me explicassem como é que um estágio profissional irá contribuir para a minha experiência ou aquisição de competências, tendo eu doutoramento e datando a minha primeira produção científica de 2003, perfazendo um total de mais de 10 anos de experiência comprovada na área...
3- grandes esforços têm sido envidados no sentido de reduzir a função pública, fazendo-nos crer que existem funcionários a mais e que o trabalho que estes têm a desempenhar não justifica tamanho erário. E agora querem contratar estagiários para desempenhar essas funções? Mas afinal existem ou não trabalhadores do estado a mais? Se existem funcionários a mais, então para que são necessários estagiários? Ou isto não passa de mais um embuste para escamotear os vergonhosos índices de desemprego?
4- se não existem funcionários do estado a mais e, de facto, há necessidade de encontrar mão-de-obra extra para desempenhar as tarefas em mãos, então estão a despedir-se funcionários públicos porquê? Para os substituir por estagiários? Então isto não passa de uma artimanha para "contratarem" pessoal altamente qualificado a preços de saldo! Eu compreendo que seja realmente muito mais vantajoso para o estado contratar-me como estagiário para desempenhar tarefas em que, com as minhas competências, estaria a ganhar, no mínimo, 3 vezes mais. Efectivamente, pelas cartas que recebo, não só do IEFP como de outras entidades públicas, é bastante claro para mim que realmente precisam de uma ajudinha, especialmente no que toca à construção gramatical. Mas não gozem com a minha cara!
Como escreveu alguém que conheço: não tarda o IEFP está a subsidiar estágios em bordéis e o populacho até vai ficar agradecidinho por essa oportunidade...
EXMO. SR. RUI MARIA E RESPECTIVO DIRECTOR DO CENTRO DE EMPREGO, IDE-VOS FODER, SIM?
Com os melhores cumprimentos, claro...
"A sua não comparência ou posterior recusa em participar na referida intervenção pode implicar as seguintes consequências:
* anulação da sua inscrição para emprego
* impossibilidade de revalidação da sua inscrição nos 90 dias que se seguem à data anulação"
E assina, com os melhores cumprimentos, pelo director do referido centro de emprego, o Exmo. Sr. Rui Maria.
E não, não me enganei a transcrever as frases, de facto falta ali um "da" entre data e anulação (DAAAAAAHH!!!).
Ora, eu que tenho este defeito terrível que é o espírito crítico, e reajo mal a ameaças, fiquei a pensar (às vezes dá-me p'ra isto, pensar... coisas de quem não tem mais nada que fazer!)... Esta brilhante carta levanta-me uma série de questões que, atempadamente, dirigirei directamente ao IEFP, mas que decidi antecipar neste meu brilhante blog e ao não menos brilhante leitor:
1- que obrigação tenho eu perante o IEFP de comparecer a esta sessão de divulgação se não estou a auferir de nenhum subsídio do estado devido à minha condição de indigente? E o IEFP, está a cumprir com a sua obrigação de me arranjar emprego? Que diligências estão a ser feitas nesse sentido? Se o IEFP considera que coagir as pessoas a irem a sessões de divulgação de estágios profissionais é uma boa forma de lhes encontrar emprego, então cada vez mais entendo por que razão a taxa de desemprego atinge já quase os 17%;
2- perdoem a minha inocência, mas sempre pensei que o objectivo de um estágio (profissional ou não) fosse adquirir experiência inicial e competência. Gostava que me explicassem como é que um estágio profissional irá contribuir para a minha experiência ou aquisição de competências, tendo eu doutoramento e datando a minha primeira produção científica de 2003, perfazendo um total de mais de 10 anos de experiência comprovada na área...
3- grandes esforços têm sido envidados no sentido de reduzir a função pública, fazendo-nos crer que existem funcionários a mais e que o trabalho que estes têm a desempenhar não justifica tamanho erário. E agora querem contratar estagiários para desempenhar essas funções? Mas afinal existem ou não trabalhadores do estado a mais? Se existem funcionários a mais, então para que são necessários estagiários? Ou isto não passa de mais um embuste para escamotear os vergonhosos índices de desemprego?
4- se não existem funcionários do estado a mais e, de facto, há necessidade de encontrar mão-de-obra extra para desempenhar as tarefas em mãos, então estão a despedir-se funcionários públicos porquê? Para os substituir por estagiários? Então isto não passa de uma artimanha para "contratarem" pessoal altamente qualificado a preços de saldo! Eu compreendo que seja realmente muito mais vantajoso para o estado contratar-me como estagiário para desempenhar tarefas em que, com as minhas competências, estaria a ganhar, no mínimo, 3 vezes mais. Efectivamente, pelas cartas que recebo, não só do IEFP como de outras entidades públicas, é bastante claro para mim que realmente precisam de uma ajudinha, especialmente no que toca à construção gramatical. Mas não gozem com a minha cara!
Como escreveu alguém que conheço: não tarda o IEFP está a subsidiar estágios em bordéis e o populacho até vai ficar agradecidinho por essa oportunidade...
EXMO. SR. RUI MARIA E RESPECTIVO DIRECTOR DO CENTRO DE EMPREGO, IDE-VOS FODER, SIM?
Com os melhores cumprimentos, claro...