Mais de um ano passou desde a minha última publicação e constato, ao ler as mensagens anteriores, que tudo continua tão tristemente actual. Em boa verdade não, a realidade actual consegue ultrapassar todas as minhas expectativas mais pessimistas.
Um ano volvido... um ano em que Portugal cada vez mais se afunda neste pântano pestilento que é a União Europeia. Um ano em que cada vez mais jovens altamente qualificados se vêem obrigados a abandonar o seu país, a sua família, a sua vida, para procurarem a mera sobrevivência num qualquer país estrangeiro. Até países outrora considerados de 3º mundo, são agora capazes de oferecer a estes jovens mais e melhores oportunidades.
Um ano em que assistimos, com estupefacção (ou talvez não, tendo em conta a proveniência das declarações), a um primeiro-ministro que chama o povo que o elegeu de piegas, num total desrespeito pelos sacrifícios impostos em nome de uma estabilidade económica que nunca chega;
a um secretário de estado da Juventude que, em modo "quem está mal que se mude", apela a que os jovens saiam da sua "zona de conforto" e insistem em insultar a inteligência dos que a isto assistem dizendo que estes jovens vão buscar know-how e voltarão depois para enriquecer o país - mas quem em sua sã consciência acredita que estes jovens voltarão a um país que não lhes deu oportunidade?;
a um ministro adjunto e dos assuntos parlamentares que era doutor ainda antes de ser licenciado e até a sua suposta licenciatura é obscura;
a um ministro da economia que, face a um povo sereno que come e cala um "enorme aumento de impostos", diz estar perante o melhor povo do mundo (afinal somos os bons alunos da Europa!);
a uma demonstração pública (pouco) velada da subserviência de Portugal aos interesses (pouco) europeus, no dia em que se comemorava a implantação da República;
... e tantas, tantas outras pérolas oferecidas por estes porcos que (des)governam esta jangada de pedra cada vez mais afundada, qual Titanic, mas não em água e sim em merda! Tanta tanta merda!...
Mais um ano em que se acenam (para alemão ver) com milhões para investir na ciência em Portugal, mas as Universidades estão à beira da falência e assumem fechar portas e se demonstra que o dinheiro efectivamente investido "cobre, mesmo na hipótese mais conservadora, 2,5% do montante global solicitado". Um ano em que novamente o meu projecto de investigação científica "inovador e ambicioso", tal como descrito na avaliação da entidade financiadora (FCT), foi rejeitado... um ano em que, tal como esperava e não obstante o meu constante esforço em querer contribuir para a cultura científica do meu país, o desemprego mais uma vez me bateu à porta, sem qualquer protecção social que não sejam as economias dos meus pais.
Um ano em que, não auferindo eu quaisquer rendimentos, a minha ex-entidade empregadora, alegando falta de liquidez, levou mais de 5 meses para me pagar mais de 300 euros que teriam que me ser reembolsados. Meus caros senhores, eu sou sensível e empática com a vossa falta de liquidez! De facto, estou tão solidária com o vosso argumento, que penso seriamente utilizá-lo no pagamento das próximas facturas de água, luz e gás! Quiçá no próximo pagamento da renda ao senhorio ou na próxima prestação do crédito habitação ao banco! Já estou mesmo a imaginar o Sr. Espírito Santo ou o Sr. Ulrich lavados em lágrimas com a minha falta de liquidez! Mais! Quando fôr à mercearia do Tio Belmiro, vou pagar com isso mesmo: falta de liquidez!
Um ano volvido... um ano em que Portugal cada vez mais se afunda neste pântano pestilento que é a União Europeia. Um ano em que cada vez mais jovens altamente qualificados se vêem obrigados a abandonar o seu país, a sua família, a sua vida, para procurarem a mera sobrevivência num qualquer país estrangeiro. Até países outrora considerados de 3º mundo, são agora capazes de oferecer a estes jovens mais e melhores oportunidades.
Um ano em que assistimos, com estupefacção (ou talvez não, tendo em conta a proveniência das declarações), a um primeiro-ministro que chama o povo que o elegeu de piegas, num total desrespeito pelos sacrifícios impostos em nome de uma estabilidade económica que nunca chega;
a um secretário de estado da Juventude que, em modo "quem está mal que se mude", apela a que os jovens saiam da sua "zona de conforto" e insistem em insultar a inteligência dos que a isto assistem dizendo que estes jovens vão buscar know-how e voltarão depois para enriquecer o país - mas quem em sua sã consciência acredita que estes jovens voltarão a um país que não lhes deu oportunidade?;
a um ministro adjunto e dos assuntos parlamentares que era doutor ainda antes de ser licenciado e até a sua suposta licenciatura é obscura;
a um ministro da economia que, face a um povo sereno que come e cala um "enorme aumento de impostos", diz estar perante o melhor povo do mundo (afinal somos os bons alunos da Europa!);
a uma demonstração pública (pouco) velada da subserviência de Portugal aos interesses (pouco) europeus, no dia em que se comemorava a implantação da República;
... e tantas, tantas outras pérolas oferecidas por estes porcos que (des)governam esta jangada de pedra cada vez mais afundada, qual Titanic, mas não em água e sim em merda! Tanta tanta merda!...
Mais um ano em que se acenam (para alemão ver) com milhões para investir na ciência em Portugal, mas as Universidades estão à beira da falência e assumem fechar portas e se demonstra que o dinheiro efectivamente investido "cobre, mesmo na hipótese mais conservadora, 2,5% do montante global solicitado". Um ano em que novamente o meu projecto de investigação científica "inovador e ambicioso", tal como descrito na avaliação da entidade financiadora (FCT), foi rejeitado... um ano em que, tal como esperava e não obstante o meu constante esforço em querer contribuir para a cultura científica do meu país, o desemprego mais uma vez me bateu à porta, sem qualquer protecção social que não sejam as economias dos meus pais.
Um ano em que, não auferindo eu quaisquer rendimentos, a minha ex-entidade empregadora, alegando falta de liquidez, levou mais de 5 meses para me pagar mais de 300 euros que teriam que me ser reembolsados. Meus caros senhores, eu sou sensível e empática com a vossa falta de liquidez! De facto, estou tão solidária com o vosso argumento, que penso seriamente utilizá-lo no pagamento das próximas facturas de água, luz e gás! Quiçá no próximo pagamento da renda ao senhorio ou na próxima prestação do crédito habitação ao banco! Já estou mesmo a imaginar o Sr. Espírito Santo ou o Sr. Ulrich lavados em lágrimas com a minha falta de liquidez! Mais! Quando fôr à mercearia do Tio Belmiro, vou pagar com isso mesmo: falta de liquidez!