Ridendo castigat mores...


Bem-vindo! Se veio aqui parar provavelmente veio enganado. Deve andar à procura de outro blog qualquer, muito mais interessante que este, e o google enganou-o e trouxe-o até aqui. Mas já que cá está, sente-se e beba um copo.

Este não é mais um blog com pretensiosismos intelectualóides nem tão pouco com carácter de intervenção. É pura e simplesmente um blog totalmente politicamente incorrecto escrito por alguém que trabalha em ciência em Portugal e que, nos tempos livres *command not found*, provavelmente não tem mais que fazer do que vir para aqui libertar as suas frustrações e dizer mal de tudo e de todos. Daí o Contra.

Não vale a pena adicionar este blog aos seus favoritos nem subscrever os feeds porque provavelmente não vai haver aqui nenhuma informação que verdadeiramente lhe interesse. Se procura informação científica credível também não vai encontrar. Tente na Web of Knowledge (3º corredor à esquerda, 2ª porta a seguir à escada; por favor ignore o letreiro à entrada que diz WC). Se procura financiamento científico, então está mesmo perdido de todo! Procure na FCT - Foda-se a Ciência e Tecnologia.

Se ainda está a ler isto é porque provavelmente é quase tão desocupado como eu e isso não revela nada de auspicioso para o seu futuro. De qualquer modo, deixe-se ficar e prepare-se para algo totalmente diferente! A realidade das histórias que aqui serão descritas é tudo menos coincidência e estas seriam hilariantes se não fossem tragicamente cómicas.

(Esta mensagem foi patrocinada pelo Dicionário da Língua Portuguesa, edição pré-acordo ortográfico, cuja palavra do dia é provavelmente. Sim, que a ligação à net para poder blogar é cara e a ciência, como toda a gente sabe, não é exactamente uma fonte lucrativa.)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Notícia de Última Hora - Previsões de Grande Melhoria da Balança Comercial Portuguesa

Segundo as últimas previsões, a Economia portuguesa em 2011 vai estar em alta devido a um grande aumento das exportações.




sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Crise? Qual crise?

Ah pois é meus amigos! Afinal andam a enganar-nos. Crise? Em Portugal claramente que não há crise, senão vejamos:

Professores e Investigadores - pagos a peso de ouro para esclarecer as mentes embrutecidas da geração vindoura e desvendar os mistérios insondáveis da ciência, respectivamente - passam, na verdade, 60% do seu tempo a realizar trabalho administrativo que quaisquer 750 euritos mensais pagariam. E quando digo 60% estou a ser optimista. Ele é um rol de propostas de fornecimento, orçamentos, adjudicações, notas de encomenda, confirmações de encomenda, guias de transporte, guias de remessa, guias de entrega, facturas, recibos... E em vez de estarem a preparar aulas ou a pensar em ciência, andam perdidos em todo um sistema burocrático que (segundo consta) é necessário! Com o dinheiro de 1 só salário de um professor ou investigador poder-se-iam pagar pelo menos 3 salários a funcionários administrativos. Portanto, Portugal claramente não pode estar em crise!

Outro exemplo: todos os anos saem milhares de licenciados das universidades estatais, financiadas (cada  vez menos) pelo estado. Ou seja, o estado está a investir recursos financeiros na formação de funcionários altamente qualificados (or so they say...). Todos os anos milhares de licenciados são atirados para profissões que nada têm a ver com a sua formação e para as quais qualquer 9º ano chegaria perfeitamente. Temos mestres em engenharia mecânica a servir em restaurantes, doutorados como caixeiros de lojas de desporto, pilotos de aviação a trabalhar em bares, licenciados em química a vender roupinhas da moda... e a lista poderia continuar indefinidamente. Portanto, Portugal claramente não pode estar em crise!

Pois sim, já sei que me vão falar nos gestores de empresas públicas, nos secretários dos secretários dos secretários dos consultores dos secretários dos secretários dos ministros. Diz que sim. Eu falo do que sei. Essas merdices mediáticas deixo para os jornalistas, não acabem eles a fazer cobranças difíceis...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

The Big Bag (of Shit) Theory!

Foi em 1993 que tomei a infeliz decisão de optar pela área científica. Vivia-se a euforia da Genética. Não existia na altura um curso superior especificamente virado para a genética.   1º Erro não-Descartesiano: decidi-me pela Bioquímica e aí começou o princípio do fim. A "Pancada da Bioquímica", como lhe chamo, bateu forte e feio e não houve nenhum ser nesta terra que tivesse conseguido pôr-me juízo na cabeça (tanto que o meu pai me disse para eu ir para economia e gestão... lição nº1: os pais têm sempre razão).

Podia encontrar uns quantos bodes "respiratórios" a quem culpar pela minha opção pouco inteligente - o meu prof. de Físico-Química, o chulo do Psicólogo que fez os testes psicotécnicos - mas a verdade é que... mea culpa, mea maxima culpa!

Em vez de utilizar critérios de sensatez - empregabilidade, perspectivas de progressão e (o mais importante de tudo, não me venham cá com merdas filosóficas de que o dinheiro não compra felicidade) Taxa de Remuneração! - escolhi a ciência porque... ERA INTERESSANTE! AHAHAHAHHAHA Quão inconsciente se pode ser?

Mas a minha falta de discernimento não se ficou por aqui. 2º Erro não-Descartesiano: Alimentei a expectativa de que conseguiria prosseguir uma carreira científica... em PORTUGAL (imaginem!)!!!!!

Por isso, e para evitar que mais alminhas inconsssssssssssssientes (p'raí com 350 S's) criem ilusões, aqui ficam algumas leis empíricas irrefutáveis:

Lei Zero do Contra-Ciência: se dois corpos estão em equilíbrio mental com um terceiro, então nenhum deles é cientista!

1ª Lei do Contra-Ciência: a energia total dispendida numa carreira científica é igual à variação do Rendimento Social de Inserção (ou do Subsídio de Desemprego para os sortudos que consigam arranjar um qualquer trabalhito temporário num Centro de Atendimento Telefónico, considerado pelo estimado Eng. wannabe Sócrates como trabalho qualificado!)

2ª Lei do Contra-Ciência: A quantidade de entropia de qualquer sistema de financiamento científico tende a incrementar-se com o tempo, até alcançar um valor máximo, designado por FCT.

3ª Lei do Contra-Ciência: a inteligência dos académicos tende para zero quando o seu respectivo grau tende para o infinito.